Compatibilidade patrimonial é a verificação, em números, de que o patrimônio e o padrão de vida de uma pessoa cabem dentro da renda que ela declara. Não é um juízo moral nem uma acusação: é uma conta.
O ponto de partida é sempre a renda líquida — nunca o bruto. Do salário bruto saem previdência e IRPF; o que resta é o que efetivamente sustenta a vida.
Em seguida soma-se o padrão de vida mensal: manutenção de imóveis (IPTU, condomínio, conservação), custo total dos veículos (parcela ou depreciação, IPVA, seguro, combustível, manutenção), educação, saúde, consumo e lazer.
A comparação usa uma margem de prudência: considera-se compatível quando a renda líquida é maior ou igual ao gasto mensal multiplicado por 1,2 — os 20% cobrem imprevistos e alguma poupança. Acima disso, a conta não fecha.
Um sinal aparece quando a soma do padrão de vida excede o que a renda comporta, ou quando o patrimônio cresce mais rápido do que a capacidade de poupança do período.
Sinal não é prova de ilícito. Existem origens perfeitamente lícitas — herança, doação declarada, renda de cônjuge, venda de bens, reservas anteriores. O que o sinal faz é indicar que uma explicação adicional é necessária.
É exatamente esse o teste que a lei já usa: adquirir bens de valor desproporcional à evolução do patrimônio ou à renda é a definição legal de enriquecimento ilícito (Lei 8.429/92, art. 9º, VII).
O simulador Não Cabe? parte do padrão de vida e compara com a renda declarada. O O Que Cabe? inverte: parte da renda real e mostra o que ela sustenta.
São complementares. A compatibilidade olha o fluxo (o padrão de vida mensal cabe na renda mensal?). A evolução patrimonial olha o estoque (o patrimônio cresceu mais do que a renda do período permitiria?).
Sim. A metodologia é a mesma para qualquer renda — assalariado, autônomo ou agente público. O que muda são os valores informados.
Não. Não há nomes, CPF nem cadastro: os valores são processados no seu navegador e não são enviados a nenhum servidor.